quarta-feira, 2 de março de 2011

UM BREVE RESUMO DA HISTÓRIA DO VINHO

Fonte: Lusowine.com

Na Bíblia menciona-se pela primeira vez a videira: "Noé plantou a vinha e tendo bebido do seu vinho, embriagou-se". As alusões que a ela se fazem, tanto no Antigo como no Novo Testamento, são numerosas.

A história da vinha encontra-se ligada desde a mais remota antiguidade à da mitologia oriental, especialmente à de Baco, que, a partir da Ásia, irradiou-se para o Egipto, Tracia (hoje, sul da Bulgária) e países mediterrâneos. A adoração de Baco pelos iniciados ia alem da simples veneração devida ao criador e protector da videira. Na sua concepção inicial, Baco apareceu como una espécie de divindade suprema. Porém, logo que se descobriu o seu caracter, seu culto se desenvolveu para todo o seu lado mundano: a celebração da vinha e do vinho. Em Atenas dedicaram-lhe festas especiais. Procissões e espectáculos dramáticos tomavam um dia por ano totalmente dedicado a Baco.

Quanto aos Bacanais, estes nasceram provavelmente no Egito, de onde passaram para a Grécia e mais tarde para Roma com um inusitado caracter de orgia, a tal ponto que os poderes públicos decretaram a sua suspensão em 186 a.C.
Baco - Quadro de Caravaggio

A dedicação da vinha a uma divindade, a importância que se lhe dá nas escrituras bíblicas assim como o prestigio do vinho, presente em tantas cerimonias religiosas e profanas, levou ao desenvolvimento de uma iconografia riquíssima e de grande valor documental. 

Nos baixos-relevos assírios, nas pinturas funerárias egípcias e nas as tábuas achadas em Cartago, Tuniz e Marrocos, encontram-se referências à videira e ao vinho.

Os achados, tanto em terra como no fundo dos mares, de numerosíssimos vestígios, são testemunhos que se somam às infinitas provas que enchem os museus, palácios, templos antigos, catedrais, mosteiros e castelos.

O vinho ocupa um posto de honra na literatura de todos os tempos. Homero já citava, séculos antes de Jesus Cristo, alguns vinhos de renome na antiga Grécia. Dá detalhes referentes até à maneira de beber. A lista dos poetas que no decorrer dos séculos se inspiraram no vinho e, como Virgílio, contribuíram para a sua historia, é interminável. Encontramos informações preciosas e completas em verdadeiros tratados de agricultura em que se descrevem todas as práticas vinícolas que se realizam hoje em dia: saibra, plantação, adubação, enxertos, poda, etc., assim como a vinificação.
Os Bêbados Festejando o S. Martinho
Quadro do grande artista português José Malhoa, depositado no Museu José Malhoa
Caldas da Rainha - Portugal

Graças a certos autores como o poeta Hesíodo, os historiadores Herodoto e Jenofonte e o geógrafo Estrabão, conhecemos exactamente como estiveram repartidos os vinhedos na Antiguidade. Na Ásia prosperavam sobre as margens do golfo Pérsico, na Babilónia, na Assíria, no litoral dos mares Cáspio, Negro e Egeu, na Síria e na Fenícia. Palestina, pátria da fabulosa descendência de Canaã, possuía una gama de vinhos de grande reputação que provinham de plantas seleccionadas e cultivadas com esmero segundo os métodos que havia estabelecido a lei hebraica.

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