sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Com ou sem sal - Saiba consumir o sal com consciência

Por: Cristiane Tabarelli
A Marcha do Sal, ou Satyagraha do sal, foi um ato de protesto contra as proibições de extração de sal pelos indianos, em 1930, impostas pelos britânicos. Mahatma Gandhi caminhou junto com muitos seguidores quase 400 quilômetros em 25 dias em direção ao litoral, para pegar um pouco de sal para si. Este foi um dos muitos movimentos na luta de Gandhi pela libertação da Índia do domínio britânico e também mostra a importância do sal para os homens.

A nutricionista e iridóloga Célia Mara Melo Garcia conta que no passado, devido à inexistência de refrigeradores, este mineral foi amplamente usado para conservar alimentos e acabou se tornando o condimento mais utilizado no mundo. “Além disso, muitos povos se valem do sal para purificação de energias negativas pessoais e também de ambientes”, diz.

Do ponto de vista nutricional, o sal é uma grande fonte de sódio, mineral fundamental na regulação do volume de líquido no corpo, na condução de impulsos nervosos e na contração muscular. “No entanto, o sódio também é abundante na maioria dos alimentos naturais. Assim, é adicionado aos alimentos mais pela satisfação do paladar do que por uma real necessidade do organismo”, explica a nutricionista funcional e esportiva Mércia Cristina Strong, do Centro de Medicina Integrada Dr. Alexandre Martins Junior, de São Paulo.

Escolha o seu tipo

Existem mais de 300 variedades de sal, que são divididos em dois grupos: o marinho e o de rocha. O primeiro se origina da evaporação da água do mar e o segundo é retirado de minas subterrâneas que surgiram quando antigos lagos ou mares secaram.

O mais indicado para a nossa alimentação é o sal marinho, de custo acessível e fácil de encontrar em hipermercados. Sua grande vantagem é possuir iodo vindo da natureza e não o artificialmente adicionado na indústria. Seu sabor é menos salgado em relação ao refinado. Mércia recomenda atenção na transição de um sal ao outro, pois a pessoa pode temperar a comida e achar que está faltando sal, já que as papilas gustativas estão viciadas no sabor agressivo do refinado.

O sal do Himalaia e o sal de Guérande são também indicados, pois devido às características dos seus locais de origem e forma de extração, contêm diversos micronutrientes essenciais ao organismo. O sal do Himalaia possui mais de 84 elementos que compõem o corpo humano e na proporção que nossas células necessitam. Segundo a chef de cozinha Rita Taraborelli, que dá vários cursos de culinária vegetariana em São Paulo, ele salga mais e de forma diferente que o sal comum. O sal de Guérande é muito conhecido por seu sabor diferenciado, sendo na maioria das vezes utilizado como um condimento especial na finalização de pratos. É rico em minerais como magnésio, potássio, selênio e iodo. Ambos são encontrados em supermercados especializados e, por causa do alto custo, acabam por ser utilizados em pratos gourmets.

O excesso de sal pode causar doenças como hipertensão, cálculo renal, nódulos e mau funcionamento da tireoide. Assim, independente do tipo escolhido, é unânime a recomendação de diminuir ao máximo o seu consumo e evitar temperos prontos de marcas comercias que possuem realçadores de sabor e outros aditivos prejudiciais à saúde. Substitua por temperos como alho, cebola, salsinha, cebolinha, coentro, manjericão e hortelã, que, além de sabor, fornecem nutrientes. Célia Mara recomenda cozinhar no vapor para preservar o sabor dos alimentos e diminuir a necessidade de sal, e dá uma receitinha de tempero: macere orégano, tomilho, salsinha, cebolinha, cominho, noz-moscada e gengibre. Dê preferência aos temperos frescos, deixe curtir no azeite por três dias e utilize em saladas. Delicioso e sem sal.
Principais tipos de sal

Sal refinado o mais comum e o mais utilizado. Pela lei brasileira, adiciona-se iodo (na forma de iodeto) para evitar a ocorrência do bócio, mas, por ser artificial, pode gerar outros problemas na tireoide.

Sal marinho obtido por evaporação da água do mar, contém iodo orgânico de fácil assimilação e em quantidades ideais, além de preservar outros minerais.

Sal do Himalaia os depósitos ficam ao pé da montanha, formada há milhões de anos, quando a região era banhada pelo mar. Possui tom rosado devido ao ferro e ao manganês presentes, além de magnésio, potássio, selênio e zinco, que contribuem para o seu sabor diferenciado.

Sal light com teor de sódio reduzido, é a mistura de partes iguais de cloreto de sódio e cloreto de potássio. Indicado em casos específicos de hipertensão.

Sal grosso não refinado, apresenta-se na forma como sai da salina.

Sal de Guérande o “sel gris de Guérande” é totalmente não refinado, recolhido na península de Guérande, na Bretanha, noroeste da França. Preserva muitos mineraise o iodo, fundamental para a tireoide.

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