terça-feira, 28 de setembro de 2010

O turismo no MS

O Mato Grosso do Sul apresenta diversas características que o tornam destino turístico de interesse crescente – grande quantidade e diversidade de atrativos naturais; expressivo número de empreendimentos que exploram o turismo; existência de projetos financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); localização estratégica no centro da América do Sul; e proximidade com São Paulo, o principal centro emissor, mas também com o Sul do país, que é importante origem de turistas para o Estado.

A exploração turística no Mato Grosso do Sul iniciou com a pesca esportiva na década de 1960. Paralelamente à atividade pesqueira, o estado vinha recebendo uma demanda turística interessada em observar as belezas naturais do Pantanal, o que se acelerou a partir da década de 1980. Posteriormente, ganhou importância o turismo na Serra da Bodoquena, especialmente no município de Bonito.

Em Ponta Porã, o turismo de compras se desenvolveu paralelo a esse movimento, atraindo pessoas de todo o estado e também do Mato Grosso, do oeste paulista, do triângulo mineiro e de Goiás. Na região de Bonito, a gastronomia não constitui um fator importante na atração dos turistas. Mesmo localizada em uma região com abundância em peixes, a carne bovina e as aves constituem os principais componentes do cardápio dos restaurantes.

Ultimamente, as chamadas carnes exóticas, principalmente a de jacaré, passaram a constar do cardápio de diversos restaurantes. De qualquer forma, são mais de 80 mil visitantes por ano em Bonito. São 27 estabelecimentosCarne ovina, turismo e gastronomia 12 de serviços de alimentação na cidade, sendo 8 deles filiados à Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Ao contrário, no Pantanal, existe uma profusão de pratos típicos, basicamente à base de peixes e de carne bovina seca. Corumbá possui grande oferta de serviços de alimentação. São aproximadamente 40 restaurantes que oferecem comidas variadas e 15 que oferecem culinária típica regional. O Pantanal como um todo é o principal destino turístico do Mato Grosso do Sul, recebendo quase 40% dos turistas que vêm ao estado.

Em Corumbá ocorre anualmente um festival gastronômico que mobiliza grande parte dos restaurantes da cidade, mas raramente são apresentados pratos que refletem a cultura pantaneira.

Ponta Porã é o 2º destino turístico de Mato Grosso do Sul, recebendo cerca de 1/3 dos visitantes. Mesmo assim, a importância de Ponta Porã para o turismo estadual é sempre colocada em segundo plano, pois a cidade não costuma ser citada dentro das prioridades e nem nos planos de desenvolvimento das rotas turísticas. Apenas em 2009 o governo do estado traçou estratégias de desenvolvimento do turismo de Mato Grosso do Sul para o período que vai até 2020, incluindo um plano de ação para a fronteira com o Paraguai, identificando a gastronomia como potencialidade atrativa para o turismo rural.

Dourados, situada no sul do Estado, recebe turistas do Brasil todo e do exterior, normalmente motivados pelo dinamismo agroindustrial da região. A cidade possui nove agências de viagens e 25 hotéis. Tem potencial para a realização de eventos, por sua localização e facilidade de acesso. O município pode se consolidar como ponto de apoio à chegada de turistas que vêm ao Mato Grosso do Sul, provenientes do sul do país, em direção a Bonito e ao Pantanal. Está em Dourados o primeiro restaurante temático de carne ovina de Mato Grosso do Sul, o Carneiro no Buraco, inaugurado em 2009.

Campo Grande, por sua localização central, serve como corredor turístico para os visitantes provenientes do Sudeste, além de servir como local de desembarque para os turistas que chegam ao estado por via aérea. Também exerce atração de turistas de negócio e de eventos,13 Introdução por ser a capital do Estado, e de turistas agrotecnológicos por ser o epicentro da região pecuária mais importante do país.

O turismo tem efeito direto e indireto na economia de uma localidade. Os efeitos diretos são os resultados das despesas realizadas pelos turistas. Os efeitos indiretos são resultantes da despesa efetuada pelos prestadores de serviços turísticos na compra de bens e serviços de outro tipo. Numa terceira etapa de circulação do dinheiro do turista estão os efeitos induzidos, constituídos pelas despesas realizadas por aqueles que receberam o dinheiro dos prestadores dos serviços turísticos.

O turismo no estado movimenta uma grande quantidade de recursos e desperta interesse por parte de investidores. Os resorts e grandes hotéis, ao se implantarem, procuram tirar o máximo de vantagens do poder público, conseguindo incentivos fiscais e de infra-estrutura, sob o pretexto de colocar o novo e o exótico para o mercado nacional e internacional. Porém, as grandes empresas não incluem os residentes em seus projetos e os governos não costumam exigir que sejam feitas parcerias com as comunidades receptoras.

A melhor forma da comunidade local se inserir no contexto turístico é oferecer serviços como os de pousadas, restaurantes, bares, além de comidas típicas e produção de artesanato. A prestação de serviços relacionados à hospitalidade possibilita a agregação de valor pelas comunidades rurais, através da possibilidade de verticalizar a produção em pequena escala, ou seja, beneficiamento dos produtos in natura, transformando-os para que possam ser oferecidos ao turista, sob a forma de conservas, produtos lácteos, refeições e outros.

Já se observa a tendência de as propriedades rurais de Mato Grosso do Sul divulgarem a cultura local para os turistas, através de comitivas de gado e de observações da lida diária do homem do campo.

A visita à área de criação de ovinos poderia ser mais um atrativo oferecido aos turistas, dentro do turismo rural. Na Nova Zelândia, por exemplo, a visita a fazendas com ovelhas é vendida como atração em várias regiões turísticas. Ali os visitantes podem observar as diferentes raças, o manejo de campo, o fornecimento de alimento para os animais e até mesmo a tosquia da lã.

O turismo rural, além do comprometimento com as atividades agropecuárias, caracteriza-se pela valorização do patrimônio cultural e natural como elementos da oferta turística no meio rural. Assim, deve-se contemplar com a maior autenticidade possível os fatores culturais, por meio do resgate das manifestações e práticas regionais, como o folclore, os trabalhos manuais e a gastronomia.

A culinária de um determinado local está inserida no conjunto de elementos culturais e, desta forma, pertence também ao patrimônio cultural da região. O aprofundamento do estudo sobre a gastronomia como manifestação cultural, e como patrimônio imaterial, é cada vez mais necessário num mundo de costumes globais, onde o turismo cultural e gastronômico está em franca expansão. Há necessidade de investigar profundamente as cozinhas das diversas regiões brasileiras, assim como as cozinhas étnicas, por potencialmente serem grandes atrativos turísticos.

Em relação à gastronomia, a Festa da Linguiça de Maracaju, na cidade de Maracaju, a Festa do Porco no Rolete, na cidade de São Gabriel do Oeste, e as Festas do Peixe de Porto Murtinho e Coxim são iniciativas locais de mostrar o alimento como atrativo na captação de turistas e visitantes.

Outro exemplo de inserção do alimento como forma de atração turística é a Festa da Farinha de Anastácio, que dá destaque à farinha de mandioca em suas diversas formas e preparos. É fato interessante que o carro-chefe da gastronomia do evento seja a buchada de bode (prato feito à base de vísceras de ovinos e caprinos).

Diversas cidades em Mato Grosso do Sul promovem eventos de abrangência municipal, tendo a carne ovina como chamariz. No entanto, normalmente são apenas eventos com a intenção de arrecadar recursos para entidades filantrópicas, sem compromisso efetivo com a promoção e divulgação da carne ovina e sem condições de perdurarem.

É interessante mencionar que existem políticas públicas incipientes – em Caarapó, em Ivinhema e em Nioaque – para estimular a produção de artesanato à base de lã e de pele de ovinos, com a15 Introdução utilização de corantes naturais para a confecção de mantas, tapetes, baixeiros e outros artefatos.
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