quarta-feira, 14 de julho de 2010

A mitologia e o Vinho

Quando aqui falei das origens, ao final da estória, da lenda árabe me referi a uma outra hipótese, que para alguns é ainda mais fascinante, trata-se do mito da criação do vinho por Dionísio (Bacco na Mitologia Romana).

Conta-se que Zeus, o deus do Olimpo, namorava Sêmele, uma mortal, tudo normal se Zeus não fosse marido de Hera. Nessa época os “homens” pulavam a cerca e o mais impressionante era que a mulheres sempre desconfiavam e acertavam quem era a rival.

Com Hera não foi diferente, mas de maneira inteligente e astuta, conseguiu se tornar amiga e confidente de Sêmele a tal ponto dela promover um pedido de prova de amor para que esse pretendente da “amiga” realmente demonstrasse seu interesse e comprometimento. Sêmele argumentou que não havia essa necessidade, dizia que era um homem poderoso e que a ela tudo fazia para satisfazer suas vontades e desejos. Mas Hera insistia engenhosamente até que Sêmele se convence que realmente era necessário.
Ao fazer seu pedido, Zeus logo descobre a passagem de Hera e insiste para não realizar o pedido de Sêmele, pois ela lhe pedia para que ele se mostrasse como ele realmente era. Bem ele usava a velha desculpa que um deus nunca pode se mostrar como ele realmente era pois causaria danos irreparáveis. Mesmo assim Sêmele não deu alternativas a Zeus e ele teve que faze-lo, e como ele anunciara tudo veio abaixo, a casa caiu, ele se mostrou como era.

Houve um grande incêndio, uma grande destruição e Sêmele faleceu. No entanto ela estava grávida e Zeus retira o filho do ventre da mãe e o coloca em sua coxa para a que gestação pudesse terminar (não posso me conter, esse é realmente e único caso de um filho feito nas coxas, os outros foram por jurisprudência...).

Quando nasce a criança Zeus o coloca para ser criado longe do Olimpo, temendo que Hera finasse a vida desse seu filho, assim nasce Dionísio, um semideus criado por ninfas, sem mãe e bem distante de seu pai.
Conta que após todo esse período acima, Dionísio viaja por toda Ásia tentando se curar, mas só quando encontra a deusa Cíbele que ele vai ser sarado e iniciado nos ritos religiosos.

Quando decide voltar à Grécia, conta-se que numa manhã Dionísio se levanta sai da gruta (caverna) onde vivia aproxima-se do parreiral à sua frente espreme alguns cachos de uva e cria o vinho. Assim se deu o mito da criação do vinho.
 
 Simbolicamente o vinho, na mitologia grega, representa a porta de entrada ao sagrado, a mitologia conta que ao beber dessa bebida divina o ser mortal poderia expandir sua consciência e conhecer o sagrado, sair do mundo profano. Assim Dionisio passava pelas cidades oferecendo seu vinho, e aquela que não bebia ele mandava para um vale de sombras, mas o que bebia, vivia da alegria, do encontro e do inusitado.

Dizem, em algumas suposições, que Dionísio cresceu numa região que provavelmente é o que conhecemos hoje como Romênia, e em sua passagem fica marcada por um gênio espirituoso e de metamorfose, daí ser conhecido pelo deus que nunca se apresenta como é, optando por uma forma animal (provavelmente Dionísio inspira a lenda do vampiro e do lobisomem). Dionísio cresce aparentemente desequilibrado, fruto da constante perseguição de Hera e é atribuído a ele outros títulos (deus da vegetação frutífera, representante do caos primordial, da noite, do mistério e do enigma) antes dele se tornar o deus do vinho e do teatro.
Dionísio conheceu e se apaixonou por Ariadne que lá havia sido abandonada por Teseu . Fez da jovem sua esposa e com ela teve Enopião, Toante, Estáfilo e Pepareto; de seu romance com Afrodite nasceu Priapo.

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